Sunday, June 3, 2012

Não sou maluca por bicicletas

Definitivamente, eu não sou uma apaixonada por bicicletas. Gosto mais da calma de um passeio a pé pela cidade do que da adrenalina de descer as ruas com o vento na cara, em duas rodas.

Sou pela gargalhada de uma criança, gosto de uma boa aula de yoga e raramente saio de casa sem um livro para ler à primeira oportunidade. Dou-me com toda a gente, mas não sou de muitas palavras, costumo ver facilmente os dois lados da questão e por isso defender ideias não é o meu forte.

Ouço as histórias que ninguém conta e tento encontrar palavras que lhes deem corpo e alma. E às vezes parece que pressinto aquilo que ninguém conta porque as pessoas nem sequer sabem que guardam em si esses mistérios. Adivinho pessoas que se escondem atrás das janelas com medo de escancarar as suas vidas em cidades fechadas. Assisto à passerelle louca de barulho  e de fumo de veículos que ocupam as artérias principais da cidade e vislumbro ali espaços de encontro  e de mãos dadas. Contemplo os olhos da minha filha e vejo o brilho de um futuro limpo e luminoso.

 A cidade é a amiga que me ofereceu de prenda uma bicicleta como forma de me dar as boas-vindas. Eu tinha acabado de chegar, de mudar de trabalho e de casa e de me deixar mudar pela vida. Agradeci e experimentei o presente, não posso dizer que seja maluca por bicicletas, mas respeito mais a cidade agora. E é a circular com a minha energia que respiro o futuro, manchado de cores e cheiros de tantos ciclistas urbanos que gritam “é possível ser feliz, fazendo os outros felizes” e regam com o seu suor as flores novas dos passeios.

Eu não sou amante de bicicletas, mas não deixo de me emocionar com a sua leveza de mariposas esvoaçantes.

Daniela Costa

Monday, May 21, 2012

A cidade das bicicletas

O que é que acontece quando uma cidade empobrecida recebe milhares de bicicletas?
The Bicycle City  é uma história de luta, determinação, idealismo e esperança que levou à transformação de uma cidade na Nicarágua. Nos últimos 20 anos, 20mil bicicletas foram levadas para Rivas por uma organização Não Governamental Pedals for Progress, que recolhe bicicletas doadas nos US e as distribuiu por comunidades empobrecidas pelo mundo.
Uma bicicleta significa um meio de transporte livre de emissões carbónicas, barato, versátil, porque permite percorrer quase todo o tipo de solos, exercício físico e maior consciência da realidade circundante. Não só leva a pessoa onde deseja, seja à escola, ao trabalho, ao gabinete ou ao parque, como ajuda a pessoa a realizar o poder interno que tem para concretizar os seus sonhos.
Acreditamos que não foi somente a bicicleta que mudou a vida destas pessoas, mas ela terá ajudado a captar a energia criativa que pôs em curso o seu processo de transformação e desenvolvimento. 

Tuesday, May 15, 2012

Imagina

Se te pedissem para imaginar como vai ser a tua vida daqui a 5 anos, o que verias?


Antes de começares, lembra-te que ao imaginar és livre e por isso deixa para trás o realismo, o possível e o impossível e deixa-te levar... como a água num rio! Flui!

Depois deste pequeno exercício, quando voltares à realidade, faz-te esta pergunta: "E porque não?"

Talvez nesta altura estejas num ponto de partida para começares a construir algo novo, com um prazo de 5 anos!

Imaginamos?

Wednesday, May 9, 2012

Reviver

Mais uma bicicleta enferrujada...
  abandonada a um canto...
 vendo a sua história morrer.

 Até ao dia em que os Eco Riders  se cruzaram no seu caminho para lhe dar uma nova vida!

Monday, May 7, 2012

Um ponto para todo o Mundo - 350


O dia acordou solarengo, contrariamente às expectativas. A Casa da Música foi o ponto de encontro de ciclistas, caminhantes e corredores. Pelo meio, bandeirolas e cartazes transportados por bicicletas alertavam para as consequências das alterações climáticas, sobretudo as secas e os incêndios, fenómenos mais sentidos em Portugal. Antes de o grupo se por a caminho, foi visualizada uma apresentação, muito ilustrativa do tema, que foi explicada por um membro da organização.

Uma avó e neta caminharam a pé para o ponto de encontro, entretanto os dois corredores também já se tinham feito à estrada e os ciclistas seguiram em ritmo de passeio pela Av. da Boavista, fazendo paragens no Parque da Cidade e no Castelo do Queijo, onde houve oportunidade de conversar com alguns transeuntes. O grupo era pequeno, mas rico em termos de diversidade, pois havia crianças, jovens estudantes, jovens no ativo, adultos em família e séniores.

A banda sonora do passeio podia muito bem ter sido “What a wonderful world”, porque o trajeto junto ao mar e ao rio foi deveras inspirador, alimentando mais a vontade de respeitar a natureza e os seus ritmos. As conversas giraram à volta das bicicletas e das preocupações ambientais, com muita partilha de vida pelo meio.

O ponto de chegada fervilhava de gente, desde turistas a locais, que aproveitavam o dia de sol. Antes de o grupo fazer o ponto humano que carateriza os eventos 350, houve uma leitura expressiva de poemas que inspiravam à união entre os povos para salvaguardar a herança comum de todos os homens: este planeta que nos foi emprestado!

O mote foi lançado: baixar as emissões de CO2 para os 350ppm! Não se pode cruzar os braços, é preciso agora trabalhar para atingir esta meta!

Saturday, April 28, 2012

350

O movimento 350 (http://www.350.org/pt) pretende alertar para as alterações climáticas. Para isso, lança o desafio de as comunidades se unirem, ligando-se entre si, de modo a criar um impacto positivo na opinião pública.
O nome do movimento remete para 350 partes por milhão de CO2. Se não conseguirmos ficar abaixo desse número, dizem os cientistas, os danos causados pelo aquecimento global que são já visíveis vão continuar e acelerar. Mas 350 é mais que um número – é um símbolo da meta para onde precisamos nos dirigir enquanto planeta.
 
Deixamos aqui alguns dados para refletirmos:
- se continuarmos com a mesma pegada ecológica (www.pegadaecologica.org.br), em 2030 precisaremos de 2 planetas Terra; 
- segundo um indicador produzido pela organização não-governamental Social Watch, existe uma profunda assimetria entre os níveis de bem-estar básicos dos países do hemisfério norte e sul; 
- por dia, 30 pessoas são consideradas falidas em Portugal.
Estes factos parecem desligados uns dos outros, mas a verdade é que precisamos de mudar a forma como olhamos o mundo, a sociedade e cada homem. As pessoas não são números e a natureza não está ao nosso serviço, só nos foi emprestada. Temos de consumir menos e com mais responsabilidade, utilizar energias limpas, reutilizar o que for possível e reciclar sempre.
Age hoje, o futuro é nosso!

Saturday, April 21, 2012

Bendita crise! Rumo ao 350...

No início do ano, um amigo russo a viver no Cazaquistão, cuja economia tem crescido muito graças ao petróleo, perguntou-me se estava tudo bem comigo e com a minha família, já que tinha ouvido falar de uma crise em Portugal e na Europa e receava o que isso pudesse implicar (como revoluções sociais e dificuldades financeiras). Disse-lhe que tinha ouvido corretamente. Contudo, a crise que lhe chegou através dos jornais, tratava-se de uma crise económica fruto de gestões financeiras narcísicas e megalómanas de banqueiros e governos, alastrando-se a todos os níveis sociais, com pedidos de empréstimos para tudo… para ir de férias ou para comprar algum eletrodoméstico. Naturalmente, chegou-se ao ponto em que não mais havia dinheiro para pagar os empréstimos contraídos, numa sucessão de cartas a caírem desde o topo até à base e da base até ao topo.
Há, então, muita conversa à volta da crise, quase todos estão muito preocupados com os cortes e a falta de subsídios. Claro que há claros motivos de preocupação, contudo é tempo de oportunidade para uma transformação social, acertar com o essencial e retomar o sentido que nos leva a realizar mais vida e maior felicidade. Como sociedade temos estado a trilhar um caminho sem sentido de consumismo desenfreado, poluição, exploração da natureza, muitos têm vivido orientados sufocadamente para o trabalho e o dinheiro, de depressões, individualismo, de menos contactos humanos diretos e pessoais, menos lazer, menos qualidade e menos realização e por aí fora. Por isso, penso que as crises são sempre boas para desenvolver, repensar e recriar as prioridades da pessoa, da família e da sociedade e reinventar novos modos de respeitar e cooperar com a natureza, os seres humanos e conectar com a Transcendência, o Universo, Deus, a Mente Cósmica, como lhe queiram chamar.
Uma prioridade é marcada pelo número 350! Este é o nível máximo de segurança apontado pelos cientistas para o nível de CO2 atmosférico, ou seja, 350 partes por milhão de CO2 na atmosfera. Partimos atualmente de cerca de 390 ppm (in www.350.org), valor que causa problemas diretos na saúde humana, no aquecimento global, no desgelo dos glaciares, na subida das águas e na maior probabilidade de catástrofes naturais. Trata-se pois de evitar a completa catástrofe.
O cientista da NASA, Jim Hansen, e outros cientistas reconhecidos, sugerem objetivos concretos:
1. parar de queimar carvão altamente poluente o mais depressa possível;
2. reduzir a desflorestação e melhorar a conservação do solo, bem como deixar de poluir os oceanos para permitir que os chamados “sumidouros”, sistemas naturais que absorvem o CO2, possam restabelecer-se;
3. reduzir drasticamente o uso de todos os outros tipos de combustíveis fósseis, como o petróleo, areias asfálticas e gás natural.
Isto leva-nos à equação simplificada:
Energias Renováveis + Proteção das Florestas + Transportes Ecológicos + Melhor Eficiência = + Vida

Alguns dirão que os maiores efeitos de mudança estão nas mãos de estruturas governamentais, que redigem e implementam as políticas do topo para a base, mas a consciência e o exemplo verdadeiros têm outros meios de ação: começam numa pessoa que partilha com a vizinha do lado, alastrando e conquistando mais e mais pessoas até que pelo caminho ou em última instância quem faz as leis e as políticas tome consciência de que uma nova realidade é possível.  
Façamos todos, nós começámos no nosso “quintal” aqui ao lado ;)